Dra. Rebeca Gerhardt Os Estigmas da Vagina

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  Quando o assunto é saúde vaginal e sexualidade feminina nos deparamos com um cenário repleto de estigmas e uma realidade que revela o número expressivo de mulheres que pouco se conhecem. Esse distanciamento do próprio órgão genital e a falta de autoconhecimento acabam por impedir que muitas mulheres convivam de forma saudável com suas próprias vaginas, além de comprometerem a qualidade da vida sexual de grande parte delas.


Diante desse contexto, precisamos colocar luz a temas, como educação sexual, prazer feminino, amor próprio, menstruação, depilação e estética genital, a fim de conseguirmos proporcionar, ao maior número de mulheres, mais autonomia, empoderamento e muito mais saúde.

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AINDA HÁ MUITO DESCONHECIMENTO DA ANATOMIA

a maioria das mulheres sabe identificar o clitóris e os pequenos e grandes lábios; mas o que grande parte delas não sabe é que essas estruturas correspondem ao que chamamos de vulva. Quando falamos em vagina, estamos nos referindo apenas ao nosso órgão genital interno, que é o canal por onde nascem os bebês no parto normal, por onde vemos a saída do sangue menstrual e onde acontece a penetração nas relações sexuais.

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A VAGINA PODE SER UMA PARTE DO CORPO QUASE QUE INEXISTENTE PARA MULHERES JOVENS

esse completo desconhecimento da anatomia feminina vai de encontro com o fato de que apenas mulheres mais maduras têm o hábito de se olhar e tocar a própria região genital. Muitas delas passam a vida toda sem ter a experiência de pegar um espelho e encarar a própria vulva. Por isso a importância de normalizarmos esse hábito e falarmos abertamente sobre essa temática.

EDUCAÇÃO SEXUAL AINDA É UM DESAFIO

isso também vai de encontro com a forma como a sexualidade é abordada dentro de casa. Em geral, a mãe é a primeira fonte de informações sobre o tema, mas essas conversas tendem a se limitar a assuntos, como o risco de engravidar e de contrair alguma doença. Se aproveitássemos esse cenário para falarmos com mais leveza e amplitude, teríamos mulheres mais seguras e menos vulneráveis a contextos de abuso, por exemplo.  

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AVERSÃO AOS PELOS

em geral, mulheres de 16 a 34 anos removem completamente os pelos da área íntima por acreditarem que se trata de pré-requisito para terem relação sexual e acabam por fazê-lo apenas para agradar o parceiro ou a parceira. É importante dizer que esse hábito não traz grandes problemas à saúde genital, mas que deve ser realizado com cuidado e jamais deve ser motivado por exigência de outra pessoa, que não você mesma. 

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O FORMATO OU O ASPECTO DA VULVA AINDA GERA ANGÚSTIA E DEMASIADA INSEGURANÇA PARA MUITAS MULHERES

68% das brasileiras têm algo que não gostam na própria vulva, e isso coloca o nosso país no topo da lista de intervenções cirúrgicas íntimas. Esse é outro cenário que revela o quanto muitas mulheres são motivadas por padrões estéticos de beleza (muitos trazidos da indústria da pornografia) e deixa claro que não levam em consideração as individualidades das formações genitais de cada uma delas. 

Diante disso, fica claro o quanto ainda precisamos caminhar na construção do autoconhecimento feminino e da normalização de temas, como masturbação, menstruação e empoderamento, para que cada vez mais mulheres estejam bem informadas e se conheçam; assim caminharemos por lugares de mais autocuidado, autoestima e saúde.


Os dados presentes neste artigo fazem parte da pesquisa “Os Estigmas da Vagina”, realizada por Intimus, em parceria com Nielsen Brasil e Troiano Branding.