SEXUALIDADE NA QUARENTENA

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Desde que fomos orientadas a seguir as recomendações de isolamento, diversos desafios nos foram apresentados. Uma nova forma de nos relacionar se fez necessária e com a nossa sexualidade não foi diferente. Independentemente de qual seja a sua condição de relacionamento amoroso, muito provavelmente sua vida sexual passou por ajustes e é sobre isso que gostaria de conversar com você hoje.

Há quem diga que ter parceiro(a) fixo(a) e morar junto com ele(a) seja uma vantagem. São mulheres que, com mais tempo e mais proximidade, perceberam suas vidas sexuais mais apimentadas. Encontraram benefícios neste contexto, pois se sentem mais íntimo(a)s e percebem as trocas sexuais tomarem lugares especiais. Mas há aquelas que relatam um comprometimento importante com tanto tempo e tanta disponibilidade. Sentem que o excesso de contato e o sedentarismo, por exemplo, minam com o desejo sexual e se veem menos atraídas pelo(a) parceiro(a).

Pra quem está solteira, os desafios também existem. Mas são um pouco diferentes. Por não se recomendar o encontro com pessoas que não moram na mesma casa, as possibilidades de contato sexual ficam ainda mais limitadas e o jeito é apelar para o mundo virtual. Como não são todas que se identificam com esta forma de se relacionar, muitas mulheres têm visto sua sexualidade extremamente abalada, levando-as a um impasse sexual com a necessidade de tanto distanciamento.

Além disso, independentemente de morar ou não com o(a) parceiro(a), é importante que você saiba que o uso da camisinha se faz indispensável. Existem sim recomendações de restringirmos o contato sexual, visto que, mesmo sem sintomas (dor de garganta, febre, tosse, coriza ou dificuldade para respirar), uma pessoa pode ser transmissora do vírus por até 14 dias. Apesar de a Covid-19 não ter sido encontrada no sêmen e nem em fluidos vaginais, sabemos que o vírus pode estar presente na saliva, pele e roupas, portanto beijos e toques também devem ser evitados.

Diante deste cenário e de todos os desafios citados, a masturbação se mostra como a principal e mais segura maneira de mantermos a nossa sexualidade. O autoerotismo não contraria as restrições sexuais do momento e é o método mais eficaz para satisfazermos nossos desejos sexuais. Mas como falarmos de masturbação feminina com tantos estigmas envolvidos no tema e tantos estereótipos a respeito da nossa sexualidade?

Para começarmos a desconstruir esses padrões, acredito que o primeiro passo vem com informação e autoconhecimento. Se você conhecer o seu corpo e suas zonas erógenas, vai ser capaz de se dar prazer e entender que sua sexualidade independe de ter ou não um(a) parceiro(a); de estar ou não com alguém fisicamente. Além disso, vai conseguir melhorar a maneira de troca com o(a) parceiro(a) e tornar sua vida sexual ainda mais interessante.

Vejo este cenário de isolamento, portanto, como uma grande oportunidade de colocarmos tudo isso em prática. Você só precisa começar! Olhar a sua própria vulva e entender os pontos dela e do seu corpo que te excitam são um boa maneira de iniciar. Com a própria mão (ou com o auxílio de um brinquedo sexual) e uma mente criativa, você verá que é capaz de chegar a lugares nunca antes alcançados, acredite!

Para te incentivar, é legal saber que a masturbação pode ainda te trazer outros benefícios: ajuda a diminuir o estresse e a ansiedade. Além de proporcionar mais saúde vaginal, quando respeitados os cuidados básicos de higiene das mãos e dos vibradores, com água e sabão ou álcool 70%.

Que tal começar a desbravar este universo hoje? Vou deixar algumas sugestões de livros, podcasts, séries e sites para te auxiliar nesta descoberta e é só se render aos benefícios de se conhecer e se estimular à sua maneira. Não se apegue a técnicas e muito menos a formas corretas ou erradas de se tocar, apenas ouça o seu corpo e se jogue!


Livro:

Viva a Vagina: tudo o que você sempre quis saber


Podcast:

- Sexoterapia

- Lasciva Lua


Séries:

- Goop Lab: terceiro episódio (Netflix)

- Explicando: episódio “O orgasmo feminino”(Netflix)


Site:

https://prazerela.com.br/


Dicas de lojas virtuais de brinquedos sexuais

https://www.desiratelier.com.br/


https://www.climaxxx.com.br/



Dra. Rebeca Gerhardt – Ginecologista e Obstetra