EXISTEM BACTÉRIAS BOAS PARA A SAÚDE ÍNTIMA?

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A mulher vem ressignificando sua relação com a menstruação e criando hábitos de vida saudável, como rotinas de autocuidado, pensando também em sua saúde íntima. Cuidar e se preocupar com a higiene diária é importante para evitar que micro-organismos não saudáveis se desenvolvam na região íntima feminina, podendo ocasionar desconfortos e até doenças. Para não comprometer a qualidade de vida das mulheres, cuidados simples no dia-a-dia podem ajudar a manter a flora vaginal saudável e o pH equilibrado.

O que pode causar o aparecimento e o crescimento de bactérias na região íntima feminina?

A flora vaginal é naturalmente composta por bactérias que habitam ali de forma harmônica, mantendo o pH vaginal mais ácido e saudável. O que acontece é que alguns fatores como stress emocional, hábitos alimentares com excesso de carboidratos, lubrificantes vaginais, terapêutica hormonal (contraceptiva ou não), atividade sexual desprotegida, fase do ciclo menstrual, duchas vaginais, uso de antibióticos e alterações imunológicas do organismo feminino podem alterar este ambiente e acabar levando ao desequilíbrio deste pH. Com isso, podem ocorrer desconfortos locais como corrimento, odores e/ou coceira, pelo surgimento de micro-organismos não saudáveis nessa região.

Quais os tipos de bactérias que podem aparecer?

A bactéria mais comumente encontrada, em decorrência desse desbalanço, é a Gardnerella. Ela aparece quando o pH vaginal torna-se mais básico e surge principalmente em mulheres que têm o hábito de realizar duchas vaginais, fumam ou que tenham comportamentos sexuais de risco.
Outro micro-organismo que pode aparecer é a Cândida: trata-se de um fungo e surge quando o ambiente vaginal está excessivamente ácido. Geralmente, esse fungo é encontrado após o uso de antibióticos, em pacientes com a imunidade comprometida por medicações, stress emocional e nos períodos pré-menstruais e está muito associado ao hábito de ingerir carboidratos em excesso.

Existem bactérias boas? Quais são?

Sim. No ambiente vaginal habitam mais de 250 espécies de bactérias boas! Elas são predominantemente constituídas por Lactobacillus que conferem proteção contra infecções, por meio da produção de algumas substâncias (ácidos, peróxido de hidrogênio e bactericidas).
A flora vaginal é um ecossistema dinâmico, e existe uma diversidade de micro-organismos que a compõem. Mas eles precisam estar em equilíbrio para que o ambiente íntimo esteja saudável.

Quais implicações as bactérias podem causar à saúde íntima? E quais doenças podem ser recorrentes disso?

Quando não há um ambiente vaginal equilibrado e saudável, ocorrem os corrimentos e desconfortos locais. Vaginose bacteriana é decorrente do aparecimento da Gardnerella, e temos como principal manifestação um corrimento acinzentado, com odor de “peixe podre”. Já a candidíase aparece por conta do fungo Cândida, e os principais sintomas são coceira local e uma secreção vaginal que lembra queijo coalhado. Esses quadros são os mais comuns e, além de comprometerem a qualidade de vida das mulheres infectadas, aumentam o risco de infecções sexualmente transmissíveis, podendo levar até a quadros de infertilidade no futuro.

A ida ao ginecologista com frequência é suficiente?

As idas periódicas ao ginecologista claramente contribuem para a manutenção da saúde vaginal, porém é sempre importante olharmos para hábitos de vida e cuidados locais a fim de contribuir com o equilíbrio dessa flora vaginal. Sempre recomendamos, por exemplo, que não se façam duchas vaginais. Sabemos que a vagina é um órgão com capacidade autolimpante, portanto não há necessidade de se jogar água dentro dela durante a higiene íntima. Além disso, abandonar o hábito de fumar, controlar o stress emocional e procurar manter uma alimentação equilibrada, evitando principalmente o excesso de carboidratos, também ajuda a manter a saúde íntima e evita possíveis desconfortos.

Dra. Rebeca Gerhardt - ginecologista e obstetra
CRM-SP: 189.945